FENDAS BICO RBR

Com a apresentação da maioria dos carros que comporão o grid de 2014, já se pode perceber um certo padrão no design dos tão falados bicos desta nova temporada. A maioria parece ter optado pelo bico estilo Tamanduá, que é o caso da Mclaren, Williams, Sauber, RBR, o bem estranho da Caterham, entre outras. Já a Mercedes e Ferrari foram mais para o caminho do bico estilo "Bagre", tão estranho quanto os outros...

Porém até agora os que mais me chamaram a atenção quanto ao "design aerodinâmico" mais ousado, foram os da RBR, Lotus e Force Indian. Me refiro aos bicos apresentados nas primeiras imagens dos carros revelados de cada equipe para os primeiros testes deste campeonato.


E é claro que vão mudar muito ao longo das corridas, pois testarão muitas outras soluções diferentes pela frente. 
Mas para não perdermos o costume, vamos confabular (especular) um pouquinho a respeito.....



Bico frontal da RBR:



Adotou o estilo Tamanduá, mas ficou bem camuflado na frente do RB10 mantendo praticamente o mesmo formato do bico do ano passado. Mas não se engane, o Sr Adrian ataca novamente com dispositivos estranhos e bem escondidos nos cantinhos do RB10. 

Se reparar na frente do pequeno Bulbo frontal, bem na ponta do bico, vai ver duas pequenas aberturas verticais, como dois pequenos rasgos frontais. Nas fotos fica difícil de se ver todos os ângulos da peça, entender bem seu formato externo, etc.


Mas vou tentar simplificar como teoricamente aquele estranho dispositivo pode funcionar. Desconfio que ele produza dois possíveis tipos de princípios aerodinâmicos, o primeiro mais simplificado, e o segundo bemmmm mais complexo:


1- Estilo TUBO VENTURI: 

O ar entra pelos rasgos verticais ( seta amarela ), é pressionado pelo design interno do dispositivo que teoricamente forma um tipo de "funil", o qual acelera o ar para sair por dois canais estreitos localizados um de cada lado da parte de trás do pequeno bulbo frontal.

Certo, mas pra que isso?
O ar saindo acelerado de cada lado da parte inferior do bico acaba por ajudar a puxar e empurrar mais ar externo para baixo do carro criando duas esteiras que contornam o fundo do cockpit, entram sob e sobre ambos os lados do assoalho do carro, desembocando tudo lá no tão importante difusor traseiro. Mais ar acelerado sob o carro cria uma área de baixa pressão aerodinâmica. Mais pressão em cima do carro, e menos em baixo, empurra o carro para baixo, aumentando toda a aderência dos pneus na pista ( o famoso efeito de sempre da asa invertida....lembra? ).

2- Estilo DISPERSOR CICLÔNICO:



O ar entra pelos rasgos verticais ( seta amarela ), e faz praticamente o mesmo caminho e efeito do tubo venturi descrito acima, saindo acelerado por traz do bulbo, alimentando a parte inferior do F1, etc, etc. Mas desconfio que neste teórico modelo de dispositivo aconteçam mais coisas, ou seja é praticamente dois dispositivos em um.

O design interno do dispositivo força parte deste ar para entrar em uma segunda câmara interna onde vai desembocar em um tubo que sai desta câmara, fazendo uma espécie de caminho em "S". Este segundo tubo que sai da câmara pode estar diretamente ligado a outra parte do carro. Aparentemente ele pode subir até a parte de cima do chassi, desembocando em uma saída de ar superior entre os braços da suspensão dianteira ( seta laranja ).
Lembra daquela estranha entrada de ar que tinha no degrau do antigo bico ORNITORRINCO do RB8? O efeito aerodinâmico é mais ou menos parecido com aquele, só que mais camuflado.

Então, este segundo modelo de dispositivo não só ajuda a acelerar o ar por baixo do carro, como no primeiro modelo, mas também joga ar acelerado, puxando parte do ar que vem de baixo do carro para cima, acelerando e estabilizando todo o ar que passa por cima do bico do F1 ( o qual também recebe ar vindo de outra pequena fenda horizontal bem abaixo do chassi, entre os braços da suspensão dianteira / seta verde ).


Com a atual redução da altura dos bicos, as equipes buscaram a todo custo soluções para ainda tentarem manter o mesmo fluxo de ar ( que tinham em 2013 ) passando por baixo e por cima do carro, ou pelo menos algo próximo do que era antes. Sendo assim, os engenheiros estão desesperados para acharem a melhor solução para isso. Dai esse estranho dispositivo da RBR.

É claro que, se isso existir mesmo, as partes internas não são exatamente como descrevi acima. Mas o efeito pode ser bem parecido.
E vi rumores também apontando que essas aberturas seriam de uma possível câmera montada ali dentro. Mas mesmo que seja uma câmera, ainda assim estão usando-a como um elemento aerodinâmico, interna e externamente. Ai acho que não passa no regulamento....Então acho difícil ser uma câmera.

Então se a coisa toda realmente funcionar no efeito que descrevi acima, o dispositivo é absolutamente GENIAL.....
(e se não funcionar assim, o que eu duvido muiiiito, então acabei de criar essa mirabolante parafernália, quem sabe não dá pra vender pras nanicas....Ou os caras avançam, ou perdem o pouco que conquistaram até agora......rsrsrs. Ai é falar: "Opps...foi mau galera, achei que dava, desculpa ai"...).

Resta saber se estes dispositivos estão no caminho certo, e as equipes vão se beneficiar de suas soluções criativas, avançando no grid perante seus concorrentes. Então é assistir mais esse campeonato pra ver o bicho pegar na pista.

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