BICO FORCE INDIA 2017

Nesta temporada a Force India apresentou um bico diferente e interessante, trata-se da fusão do bico com duas aberturas do ano passado, o único do grid, com uma mescla dos bicos com pequenos BULBOS, já tão ( mal ) vistos no grid por muitas corridas.
Embora não esteja em grande destaque nestes dias de testes, a Force India ousou em seu bico bem mais que as concorrentes.

Quando vi achei muito interessante, pois aparentemente parecia que haviam eliminado aqueles dois furos que haviam em 2016. Mas na verdade os furos continuam lá, e maiores ainda.

Os designers e engenheiros da FI Criaram duas espécies de TUBOS VENTURI, onde o ar entra pelos furos, agora ainda mais longos e afunilados, e sai acelerado por baixo do chassi.
Sim mas a coisa não é tão simples assim. É claro que os furos, ou aberturas, são muito bem trabalhadas, projetadas para distribuir e direcionar o ar por toda parte de baixo do F1.

Então acabei projetando um pequeno teste VISUAL BÁSICO em CFD para ver mais ou menos como o teórico efeito deste novo bico funcionaria. Confira abaixo as imagens.



Repare nas fotos deste meu pequeno teste, como o ar passando acelerado pela nova abertura no bico fica bem COLADO na parte de baixo do chassi ( faixa estreita azul mais escuro ).
Isso é um dos principais efeitos aerodinâmicos que os engenheiros buscam em todo projeto, manter o ar o mais tempo colado ao longo de todo o "corpo" do carro, evitando o chamado "descolamento da camada limite".

Lembra do duto S, que já expliquei em vídeo por aqui? É mais ou menos esse efeito que ele tenta manter sempre. http://designerbira.blogspot.com.br/2013/04/video-abertura-sob-o-bico-do-f1.html

Então, simplificadamente, esse efeito aumenta o desempenho aerodinâmico, diminuindo o ARRASTO gerado pelo corpo do F1 cortando o ar em cada volta.



Nesta simulação dá pra ver a pressão negativa gerada abaixo do bico e chassi da FORCE INDIA.
Veja que a cor verde mais viva logo abaixo do bico indica uma boa pressão negativa, chegando até a azul escuro, o ponto de maior pressão negativa bem abaixo do bulbo frontal.

Ou seja, quanto menor a pressão do ar abaixo do carro, mais "colado" ele fica na pista, pois está sendo empurrado para baixo, como a asa de um avião invertida, lembra....?
É um bico bem trabalhado, resta saber se será mais eficiente que o de seus concorrentes ao longo desta temporada.

Tento deixar o assunto o mais simplificado possível, mas sei que é meio técnico, confuso e complicado. Estes meus testes básicos, são teorias que tento entender.
Escrever e explicá-las é ainda mais difícil, baseado apenas em fotos de dispositivos que as equipes escondem a sete chaves já lá na pista, imagina tentar ver algo por fotos raras garimpadas na net ( e sem ser um Adrian Newey na vida...rsrrs).

É difícil, mas  pra quem curte assuntos técnicos da F1 saindo um pouco fora do trivial da vida de treinos e corridas, é bem legal tentar entender a mente dos engenheiros por trás de seus projetos secretos.

Mais a frente comentarei sobre as famigeradas barbatanas de tubarão, tão odiadas nos novos carros.
E também sobre as asas "T", side pods diferenciados e o que mais estranho aparecer nesta nova F1, Fica ligado...vlw.

Autor: Ubiratan Bizarro Costa
designer industrial automotivo

contato@bizarrodesign.com.br


Comentários

VEJA TAMBÉM:

Dispositivo ISB - Indy Speed Brakes

COMO FUNCIONA O ESCAPE COANDA

Estranho dispositivo no assoalho da Ferrari 2017

MONOFORMULA BK

Design de Protetores de cockpit tipo ESCUDO

FUNCIONAMENTO BANCO DE MACACO