Aerofólio na Bandeja T da RBR.

Red Bull lhe dá asas....mas até na bandeja T?

Este ano algumas equipes instalaram pequenas aletas verticais nas pontas da bandeja T, mas a RBR foi além. Quem reparou na pequena asinha que a RBR instalou ali, que parece um pequeno aerofólio invertido?

Para que serve aquilo?



Este dispositivo ajuda a captar e enviar mais ar acelerado ( seta azul ) ao redor da base dos sidepods e debaixo do assoalho do F1, melhorando o fluxo de ar que chega até o difusor traseiro, criando maior downforce, etc, etc. Isso todos já sabem.

Mas acredito que a coisa não para por ai. Já reparou como a RBR é um dos carros mais inclinados do grid, e que possui a traseira mais alta? É ai que aquela "asinha" começa a fazer sentido.

A alguns anos escrevi sobre a teoria do possível surgimento de dispositivos termo expansíveis na F1. E um dos pontos era justamente na ponta da bandeja T. E em 2013 surge algo muiiito próximo desta ideia detectado pelas câmeras térmicas da F1, justamente na RBR  http://www.designerbira.blogspot.com.br/2013_10_12_archive.html

Mas voltando para 2016, vendo os treinos destas primeiras corridas, o cinegrafista entra nos boxes da RBR e filma de passagem dois mecânicos que estavam debaixo do carro colocando um tipo de fita adesiva prata, parecida com um "protetor térmico" bem na ponta da bandeja T, aquilo me chamou a atenção.....O que esses caras estão fazendo? Nunca vi colocarem isso no carro durante os treinos, ainda mais neste lugar....???
Ai somando o pequeno e estranho aerofólio, a inclinação acentuada do carro, a fita prata misteriosa nos boxes, o dispositivo usado em 2014, a teoria se encaixa.

O que pode existir a mais ali que não notamos?

Imagine que exista um dispositivo embutido dentro da ponta da bandeja T que emita CALOR ( seta vermelha ) pré aquecendo a região da peça provocando um EMPENAMENTO ( o mesmo de 2014), curvando levemente a ponta da bandeja para cima. Somado a isso, quando o F1 acelera nas retas, o vento força o NOVO pequeno aerofólio invertido na ponta da bandeja T também para cima. Como ela já está aquecida, dilatada e teoricamente empenada, a ponta da bandeja LEVANTA uns 3 milímetros que seja para CIMA ( seta laranja ). Agora percebe o objetivo principal deste teórico dispositivo?

Se a ponta da bandeja levantar, a frente do F1 pode ABAIXAR um pouco mais. Se a frente abaixa, o carro fica ainda mais inclinado como uma cunha, gerando maior CARGA AERODINÂMICA em todo assoalho e traseira do F1. Ao final da corrida, carro desligado, esfria a região da bandeja T, e tudo volta a ser "rígido" e na altura normal, passando de boa nos testes da FIA. Simples e inteligente.

Então mesmo que sejam alguns milímetros a mais na inclinação do F1, em um carro com design aerodinâmico preciso vai gerar ganho de carga, além dos concorrentes é claro. E não vai ser algo fácil de se notar até conseguirem provar durante uma corrida ( o que é bem difícil, é claro).
Isso meio que explicaria a imagem dos mecânicos colocando a fita térmica, para que a região pré aquecida não perdesse calor em quanto o carro estava desligado parado nos boxes durante os treinos e primeiros testes deste suposto novo dispositivo.
Na corrida tem tempo de sobra para o dispositivo aquecer e funcionar de boa.
Mas em uma classificação, conservar o calor, fica mais fácil de se conseguir alguns milésimos a mais em uma apertada volta lançada.
Então a aerodinâmica da "asinha" e a teórica dilatação trabalhando juntas formam um dispositivo simples e  inteligente. Pois tudo que ajudar a vencer a concorrência, e quem sabe até a corrida, é bem vindo, não acha?

A verdade é que todos os carros são "corretos" e dentro do regulamento, estacionados durante os testes da FIA. Mas no calor da corrida, com o vento a trezentos por hora sob e sobre a carenagem, a história é bem outra. É a lua cheia que os transformam em feras....rsrsr. E quem vai conseguir comprovar? Que o diga a Mercedes, um carro de outro mundo, não é mesmo...?

autor: Designer Bira

contato@bizarrodesign.com.br








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