SIS Sistema de impacto de assento

Em mais um exercício de criação, desenvolvi este outro possível dispositivo de segurança para F1 e monopostos a fins.

Trata-se do dispositivo SIS, Sistema de impacto de assento (Seat impact system). 

Seu objetivo é absorver impactos frontais, somado ao nariz do carro, transferindo o mínimo possível dos efeitos da "desaceleração" ao corpo do piloto.

Possui estrutura construída em fibra de carbono onde são montadas as pedaleiras, volante, banco concha e cintos de segurança. Na parte dos cintos é laminada por dentro da fibra, uma pequena treliça tubular de liga de titânio e aço inox (azul), a mesma liga das pás do rotor de helicópteros militares, leves e altamente resistentes a impactos de estilhaços e projéteis. Essa treliça reforça todo conjunto onde é ancorado o cinto de 5 pontos. 


Então a estrutura completa do SIS é instalada dentro do cockpit, no momento de sua construção, quando as duas partes são unidas formando o chassi do F1, mantendo o dispositivo selado dentro do carro.
Na base do cockpit, sob o assento, é instalada outra pequena peça tubular retangular do dispositivo, a qual absorve os impactos, sendo substituída quando necessário.









Como o dispositivo funciona:

A estrutura SIS (cinza) manten-se fixa e travada durante toda a utilização normal do F1, nas freadas, acelerações, derrapagens, pequenos impactos, etc, não tendo qualquer movimento, ficando praticamente imperceptível dentro do cockpit.




Mas quando ocorre um forte impacto frontal (acima de "X" G previamente calculado), toda a estrutura SIS é projetada para frente, deslizando dentro do chassi juntamente com o banco, volante, pedaleiras e todo o corpo do piloto ( seta vermelha ). Isso faz com que a estrutura SIS comprima e pulverize o tubo retangular na base do assento (amarelo), absorvendo assim impactos maiores protegendo melhor o piloto. 

Na verdade é o mesmo efeito que ocorre com o nariz do F1, em uma escala menor, somando a eficiência de ambos os dispositivos, o conjunto ajuda a reduzir ainda mais possíveis ferimentos ao piloto, principalmente os causados por uma "desaceleração" brusca. 

Outros detalhes do dispositivo SIS:

A borda frontal do cockpit, logo a frente do volante,  é aumentada prevendo o espaço de deslizamento do dispositivo SIS quando acionado ( seta vermelha abaixo). A estrutura interna do SIS que suporta o pequeno painel e volante, "tampa" esta abertura maior do cockpit tornando o conjunto plano, igual a como é hoje no F1. E quando o SIS é acionado deslizando para frente em uma forte colisão frontal, a abertura do cockpit sempre se mantém a mesma, nunca criando bordas frontais que se aproximem da cabeça do piloto, ou diminuindo a abertura do cockpit dificultando sua saida do F1. 


Outro ponto muito importante é que o SIS também ajuda a absorver os impactos  de traseira, trabalhando em conjunto com o RIS ( estrutura de carbono na traseira abaixo do escape )
Então imaginamos que o F1 tenha um forte impacto de frente, gire e bata também de traseira no outro lado da pista. Isso faria com que o piloto fosse jogado para frente e posteriormente para trás. Com o SIS, o tubo retangular na base do acento absorve o impacto de frente, em conjunto com o nariz do F1, e quando o RIS na traseira do carro é atingido, a estrutura do SIS se auto TRAVA, mantendo o acento parado para absorver também o impacto de traseira.

Como isso funciona:



São instalados no conjunto do SIS quatro compactas "grades retangulares com ranhuras"
(laranja) com  4 travas tipo catraca (amarelo), todas feitas em titânio. As grades são afixadas na base do acento e laterais do chassi do F1, e as travas instaladas  na estrutura deslizante do dispositivo SIS, acima das grades. Quando a estrutura do SIS é projetada para frente ( seta verde), as travas deslizam sobre as ranhuras, mas se o SIS retornar de traseira, as TRAVAS automaticamente "travam" nas ranhuras das grades ( seta azul), evitando que o SIS deslize para trás. Esse sistema trava o conjunto no lugar, mantendo o SIS preso na frente e atrás, e consequentemente o piloto estático e seguro em seu acento, absorvendo melhor o impacto frontal e de traseira.

É um dispositivo relativamente simples, constituído apenas de 2 peças principais e algumas menores de apoio. Claro que o chassi seria projetado para comportar o novo dispositivo, mas sem grandes mudanças físicas e dimensionais em sua habitual construção. 

É reaproveitável, bastando apenas destravar a estrutura do SIS (cinza), reposicionar o banco para trás e trocar o tubo retangular amarelo de impacto na base do acento. 
Pode ter seu tubo de impacto instalado nos pés por exemplo, ou a estrutura pode ser menor, considerando apenas a parte do acento do piloto, sem envolver as pedaleiras, etc, etc. Ai fica a cargo de um refinamento para sua melhor utilização. Para engenheiros que criaram uma nova unidade de potência e todo um novo chassi em sua volta, o SIS não seria um desafio tão grande assim....

Porém o dispositivo SIS tem um grande valor nos casos de acidentes frontais onde não se ocorre o primeiro impacto sobre o nariz do F1, como por exemplo no acidente de Bianchi em 2014.
Neste acidente o impacto maior não ocorreu no nariz do F1, e sim na lateral do chassi e estrutura de rolagem. Isso provocou uma grande desaceleração sobre todo o corpo do piloto, uma vez que o nariz do F1 praticamente não foi atingido, evitando que a energia se dissipasse totalmente. O que acabou transferindo boa parte desta energia para o corpo do piloto. 

Se já existisse o SIS a desaceleração sobre o piloto teoricamente poderia ter sido menor, uma vez que este dispositivo atuaria como um "segundo nariz reduzido" do F1, um backup de segurança, dissipando parte da energia do impacto, protegendo melhor o piloto.

Então quanto mais estruturas existirem no F1 para absorverem impactos, melhor será para a segurança dos pilotos, certo....E se existem várias em sua volta, por que não mais proteções também em seu assento?


Talvez um dia esse sistema venha existir, evitando novos acidentes por "desaceleração" na F1.

Autor deste projeto: Ubiratan Bizarro Costa


designer industrial automobilístico





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